Uma pergunta comum é se Jesus sabia escrever e, se sim, por que Ele não escreveu nada pessoalmente para nós lermos. Acontece que, de acordo com historiadores da Igreja Primitiva, Ele de fato escreveu. Hoje, vamos discutir a carta pessoal de Jesus ao rei Abgar. Essas cartas são conhecidas principalmente por Eusébio de Cesareia, que as encontrou nos arquivos de Edessa durante sua pesquisa histórica. Eusébio apresenta essa história em sua "História Eclesiástica", escrita no início do século IV, conferindo um ar de antiguidade e autoridade ao relato.
O rei Abgar V, também conhecido como Abgar, o Negro, governou o reino de Edessa, localizado no que hoje é o sudeste da Turquia, por volta do ano 9 d.C. Edessa era um importante centro cultural e comercial durante o início do primeiro século, uma encruzilhada de várias civilizações, incluindo os impérios romano e persa. O rei Abgar fazia parte da dinastia Osroen, que tornou Edessa uma entidade política significativa durante um período de grande turbulência regional. Seu governo é conhecido por sua diplomacia estratégica e por seus esforços para navegar pelas disputas de poder entre impérios maiores. Ele é frequentemente lembrado não apenas por sua habilidade política, mas também por sua conexão única com a história cristã primitiva, que entrelaça sua história com a de Jesus Cristo.
O rei Abgar sofria de uma doença crônica e debilitante. As descrições de sua condição variam, mas é claro que era grave e nenhum médico local podia oferecer alívio. Foi durante esse tempo de sofrimento que Abgar ouviu falar de Jesus de Nazaré, cuja fama como curador havia começado a se espalhar muito além das fronteiras da Judeia. As histórias de Jesus que chegaram ao rei Abgar estavam cheias de relatos de curas milagrosas: cegos enxergando, coxos andando e doentes sendo restaurados à saúde plena. Esses relatos despertaram uma mistura de esperança e curiosidade no rei Abgar, que pensou que, se tais histórias fossem verdadeiras, talvez esse Jesus pudesse oferecer um remédio não apenas para suas enfermidades físicas, mas também para as doenças espirituais e políticas de seu povo.
Em sua dor e esperança, Abgar enviou uma carta a Jesus. De acordo com antigas tradições cristãs, particularmente preservadas nos escritos de Eusébio de Cesareia, o rei Abgar escreveu uma carta a Jesus, um ato ousado e sem precedentes. Na carta, ele disse a Jesus: "Quando ouvi todas essas coisas sobre você, considerei que você é o próprio Deus que desceu do céu para agir assim, ou que você é o Filho de Deus fazendo tais coisas. Por isso, estou escrevendo a você e pedindo que me visite e cure minha doença. Além disso, ouvi dizer que os judeus estão resmungando sobre você e desejam mal a você. Tenho uma cidade bastante pequena, mas nobre, e é suficiente para nós dois."
Como você pode ver, na carta, Abgar expressou um profundo respeito e reverência por Jesus, reconhecendo-O não apenas como um curador, mas como um Salvador que realizou milagres sem o uso de remédios ou ervas. Suas palavras refletiam uma profunda crença no poder divino de Jesus. Ele disse: "Ouvi falar de você e dos seus milagres, e acredito que você vem de Deus." Indo mais além, Abgar então estendeu um convite a Jesus, oferecendo-lhe refúgio em Edessa, um lugar longe das crescentes hostilidades que marcavam o ministério de Jesus na Judeia. Ele escreveu a Jesus dizendo: "Eu o convido a vir a mim e escapar da perseguição que você está sofrendo." O pedido do rei era simples, mas profundo: ele queria a cura de sua enfermidade, acreditando que somente a presença de Jesus restauraria sua saúde. Portanto, ele escreveu: "Venha a mim e cure a doença que me aflige."
Este pedido ilustra não apenas sua crença em Jesus, mas também a esperança de que esse poder pudesse se estender além das populações judaicas, para um governante gentil. Entregar a mensagem de Edessa a Jesus na Judeia não foi uma tarefa fácil, dada a distância considerável e a natureza rudimentar do transporte e da comunicação na época. De acordo com historiadores, o rei Abgar confiou essa importante carta a um emissário, um mensageiro real, que foi encarregado da significativa responsabilidade de encontrar Jesus e entregar a mensagem diretamente a Ele. Este mensageiro precisaria não apenas navegar pelas paisagens geográficas e políticas das regiões entre Edessa e Judeia, mas também localizar o próprio Jesus, o que teria sido desafiador, dado o ministério itinerante de Jesus. A jornada do emissário encapsula uma busca física e metafórica pela verdade espiritual e cura.
Ao chegar a Jesus, de acordo com a história, o mensageiro apresentou a carta a Ele, completando assim sua missão. Neste ponto, você provavelmente está se perguntando o que Jesus fez depois de receber a carta. A resposta de Jesus ao apelo sincero do rei Abgar é crucial e surpreendente. Mas antes, não se esqueça de se inscrever no nosso canal e deixar o seu gostei, pois só assim conseguimos levar a palavra de Deus cada vez mais longe.
De acordo com as tradições preservadas por Eusébio e outras fontes cristãs primitivas, Jesus de fato respondeu ao rei Abgar. Aqui está o que Jesus escreveu na carta ao rei: "Bem-aventurados os que creram em mim sem me terem visto, pois está escrito a meu respeito que aqueles que me viram não crerão em mim e que aqueles que não me viram crerão e serão salvos. Mas quanto ao que me escreveste para ir ter convosco, é necessário que eu cumpra aqui todas as coisas para as quais fui enviado e, depois de cumpri-las, ser levado para aquele que me enviou. Mas depois que eu for levado, enviarei um dos meus discípulos a você para curar sua doença e trazer vida a você e aos seus."
Como você pode ver, na carta, Jesus reconheceu a fé de Abgar e sua compreensão da missão de Jesus na Terra. A resposta é graciosa e honra a crença de Abgar. Historicamente, a carta significa um reconhecimento precoce da mensagem cristã se espalhando além das populações judaicas para o mundo greco-romano mais amplo. Isso sugere que Jesus estava ciente de sua crescente influência e pretendia que seus ensinamentos alcançassem todos os cantos da Terra, simbolizados por Sua promessa de enviar um discípulo após Sua ascensão. Esta promessa também ilustra o papel dos apóstolos na continuação da obra de Jesus, um aspecto fundamental da doutrina cristã em relação à sucessão apostólica.
O que aconteceu depois que Jesus escreveu a carta ao rei Abgar? De acordo com relatos históricos narrados por Eusébio e expandidos em textos apócrifos, Jesus cumpriu Sua promessa após Sua ascensão, enviando um de Seus 70 discípulos, identificado como Tadeu, para Edessa. Ao chegar, Tadeu curou o rei Abgar e muitos de seus súditos, provocando uma conversão significativa ao cristianismo no reino. Este ato confirmou o poder e alcance das palavras e promessas de Jesus e estabeleceu uma das primeiras comunidades cristãs fora da Judeia. Edessa tornou-se um centro vital para a disseminação da fé no Oriente, influenciando regiões vizinhas e desempenhando um papel crucial na formação da tradição cristã síria primitiva.
Segundo elaborações posteriores, Tadeu também trouxe um pano com a imagem do rosto de Cristo, criada milagrosamente quando Jesus pressionou uma toalha em seu rosto. Esta imagem, conhecida como a Sagrada Face de Edessa, tornou-se um ícone reverenciado, acreditado ter poderes protetores e sendo um foco de veneração. Falaremos mais sobre essa história em outro vídeo, então fique atento ao nosso canal para não perder.
A troca entre o rei Abgar e Jesus ressaltou temas de fé, missão divina e o escopo universal da mensagem de Jesus. Reforçou a crença de que a salvação por meio de Jesus estava disponível para toda a humanidade, além dos limites étnicos e geográficos da Judeia. Como mencionado, as cartas entre Jesus e o rei Abgar vieram à tona por meio de Eusébio de Cesareia, que afirma tê-las descoberto nos arquivos de Edessa. No entanto, a autenticidade dessas cartas tem sido objeto de considerável debate entre acadêmicos e teólogos.
Primeiro, não há cópias sobreviventes das cartas originais, além do que Eusébio transcreve. Os céticos argumentam que o estilo e o conteúdo das cartas não correspondem conclusivamente ao contexto judaico da época de Jesus. Contudo, sem a carta original, não podemos afirmar que elas existiram ou não. Eles apontam que o uso do grego em uma região onde o aramaico era predominante levanta questões sobre a origem e autenticidade da carta. No entanto, muitos falantes de aramaico da época escreviam e falavam em grego, que era uma língua dominante. Faz sentido que Jesus também o fizesse. Além disso, as cartas eram correspondências entre duas pessoas de países diferentes, e usar uma língua comum seria lógico.
Acredito que esta carta existiu, mas também é possível que Jesus tenha ditado sua intenção ao mensageiro, que então traduziu e escreveu as palavras. Este tipo de tradução é encontrado em muitos textos históricos e não é incomum. Por outro lado, crentes e alguns estudiosos defendem a possibilidade de que a carta seja autêntica, apontando para o fato de que Eusébio, um historiador meticuloso, não teria incluído uma farsa tão facilmente verificável em sua obra monumental. Eles também apontam para o contexto político e cultural da época, que favorecia a disseminação de lendas cristãs para promover o crescimento da fé. Mesmo que a carta seja considerada por alguns como apócrifa, o impacto do relato é inegável.